8 de março é dia de luta das mulheres contra a violência, por igualdade de direitos e pela democracia

Publicado em 07/03/2018 17:08

‘As mulheres estão sendo as principais vítimas da política neoliberal do governo ilegítimo de Temer. Temos de reagir nas ruas’, diz secretária da Mulher da Fetec-CUT/CN

Apesar dos avanços notáveis das últimas décadas graças à sua capacidade de luta, as mulheres continuam sendo vítimas de discriminações e violência em todos os campos: assédio sexual, machismo e feminicídio na sociedade, remuneração inferior e barreiras à ascensão profissional no trabalho, sobrecarga de tarefas na família e vítimas de violência doméstica. As mulheres foram também as que mais perderam direitos com as reformas neoliberais do governo ilegítimo de Temer.

“Por isso é hora de dar um grito de basta. Vamos às ruas em todo o país nesse 8 de março denunciar essas injustiças. Transformemos o Dia Internacional da Mulher num dia de reflexão e ação para potencializar nossas forças com o objetivo de aumentar a resistência e a luta contra a violência de gênero e pela igualdade plena de direitos para as mulheres”, afirma Cida Sousa, secretária da Mulher da Federação dos Bancários do Centro Norte (Fetec-CUT/CN).

“Além dessas discriminações históricas, as mulheres brasileiras estão sendo as principais vítimas da política neoliberal de um governo não eleito formado por homens brancos, machistas e corruptos, que chegaram ao poder derrubando com um golpe uma mulher honesta, que sempre lutou por nossos direitos. Entre os retrocessos, estão o fim da proibição de mulheres grávidas trabalharem em locais insalubres e a intenção de aumentar o tempo laboral antes da aposentadoria. Por isso nossa luta também é contra esse governo ilegítimo, contra as perdas de direitos e pela volta da democracia”, acrescenta Cida Sousa.

A CUT e diversos movimentos de mulheres, feministas e populares estão organizando neste 8 de março, na maioria dos Estados e nas principais cidades do país, uma Jornada de Luta das Mulheres em Defesa da Democracia e dos Direitos. Confira a programação.

E veja aqui por que o 8 de março é o Dia Internacional das Mulheres.

 

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Bancárias levarão 88 anos para igualar remuneração dos homens

Segundo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho, as mulheres formam 49,2% dos trabalhadores do sistema financeiro nacional e são mais escolarizadas que os homens. Mas elas ganham menos que os homens nos bancos.

A pesquisa que a Contraf-CUT faz em parceria com o Dieese com base nos dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego do Ministério do Trabalho) mostra que as mulheres já entram nos bancos ganhando o equivalente a 71,9% da remuneração masculina. E quando saem das empresas financeiras, o salário médio feminino significa 76,9% da remuneração dos homens.

“Isso mostra que a discriminação já existe na porta de entrada e continua durante o tempo laboral. O salário mais baixo é reflexo direto dos obstáculos impostos à ascensão profissional das mulheres dentro dos bancos”, denuncia a secretária da Mulher da Fetec-CUT/CN.

Os dois Censos da Diversidade da categoria bancária, realizados em 2008 e 2013 como resultado da conquista das mulheres nas negociações com a Fenaban, mostram que nesse período houve uma redução de 1,5 ponto percentual na diferença de remuneração entre homens e mulheres. O que significa que, nesse ritmo, as mulheres alcançarão a igualdade salarial com os homens nos bancos daqui a 88 anos.

 

As conquistas das bancárias

Até meados da década de 1960, o sistema financeiro era um território exclusivamente masculino. Foi somente a partir daí que as mulheres começaram a ser contratadas pelos bancos, primeiro no antigo Banespa e depois no Banco do Brasil.

Em 1997, foi realizado no Rio de Janeiro o 1º Encontro de Mulheres Bancárias, quando foi criada a CGROS (Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual) da então Confederação Nacional dos Bancários (CNB-CUT).

Em 1998 o movimento sindical bancário incluiu pela primeira vez na pauta de reivindicações cláusulas para combater as discriminações nos locais de trabalho contra mulheres – e também contra negros, pessoas com deficiência e homoafetivos –, que acabou se tornando um dos eixos da campanha.

Mas durante muito tempo os bancos negaram a existência de discriminação nas empresas, mesmo depois que a CNB-CUT publicou em 2001 o estudo Os Rostos dos Bancários, em parceria com o Dieese, mostrando que havia preconceitos nas instituições financeiras.

A partir daí, as mulheres bancárias conquistaram grandes avanços, entre eles a criação da mesa temática sobre igualdade de oportunidade com a Fenaban, os Mapas da Diversidade de 2008 e 2014 (confirmando que há discriminação contra mulheres e negros nos bancos), o auxílio-maternidade de 180 dias e a publicação de várias cartilhas de combate aos preconceitos, entre elas “Prevenção e combate ao assédio sexual” e “Relações compartilhadas”.

A Mesa Temática sobre Igualdade de Oportunidades foi incluída na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e continua ativa, embora com poucos avanços nos últimos anos. “Como vimos, foi somente com mobilização e com luta que as mulheres trabalhadoras tiveram conquistas ao longo da história. Os avanços foram importantes, mas há ainda um longo caminho a percorrer na busca de igualdade plena das mulheres”, conclui Cida Sousa.

Fonte: Fetec-CUT/CN