Bancos estouram de tanto ganhar dinheiro

Publicado em 28/05/2021 17:21

Lucro somado dos três maiores bancos do país nos três primeiros meses do ano chega quase aos R$ 17 bilhões, mesmo em plena crise

Os três maiores bancos privados do Brasil (Bradesco, Itaú e Santander) apresentaram seus balanços do primeiro trimestre de 2021 com alta nos lucros em relação ao mesmo período de 2020. O lucro somado das três instituições foi de R$ 16,9 bilhões nos três primeiros meses do ano, alta média de 46,9% em relação ao mesmo período do ano anterior (2020).

“É um resultado muito expressivo para um ano de pandemia e com um cenário econômico tão delicado no país”, afirmou a economista Vivian Machado, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O maior lucro foi o do Bradesco, (R$ 6,5 bilhões, alta de 73,6%), seguido pelo Itaú (R$ 6,4 bilhões, alta de 63,5%). O Santander foi o banco que apresentou a menor alta em seu resultado (+4,8% no período), no entanto este foi o maior lucro trimestral do banco desde 2010, totalizando R$ 4 bilhões.

“A rentabilidade (resultado sobre o patrimônio líquido médio anualizado dos bancos – ROE) destes bancos variou entre 18,7% (no Itaú Unibanco e no Bradesco, ambos crescendo 5,7 pontos percentuais e 7 pontos percentuais, respectivamente) e 20,9% no Santander”, informou a economista.

Lucros incessantes
“A verdade é que os bancos nunca pararam de lucrar. Os crescimentos divulgados para este primeiro trimestre de 2021 são comparados a números rebaixados artificialmente pelos bancos com provisões estrondosas no ano passado”, observou o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Mario Raia, ao lembrar que, no primeiro trimestre de 2020, os bancos apresentaram resultados com grandes provisões para dívidas duvidosas (PDD) com medo de calotes. “Os índices de inadimplência estavam e continuaram muito baixos. As provisões acabaram maquiando o grande lucro que eles tiveram no ano passado, assim como tiveram este ano, mostrando, mais uma vez, que os bancos, com crise, ou sem ela, lucram muito”, completou.

Demissões e fechamento de agências

Mesmo com os altos lucros, os bancos continuam demitindo seus funcionários para reduzir custos. Considerando o saldo de demissões e contratações destes três bancos, houve uma redução de 8.625 postos de trabalho bancário. “E a redução de postos poderia ser ainda maior, não fosse o Itaú apresentar seus números considerando os funcionários de uma empresa que comprou. Na verdade, não são novos empregos”, informou o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT. “Esse fato acaba criando viés na informação”, completou.

Mas, além de demitir, os bancos estão fechando agências. Do final de março de 2020 para o final de março deste ano, o Bradesco fechou 1.088 agências, o Itaú 115 e o Santander 140 agências e 91 Postos de Atendimento Bancário (PABs).

“Os bancos dizem estar investindo em ferramentas de atendimento eletrônico, pela internet. Mas, a pandemia nos mostrou que esta não é a realidade do país. Muita gente não apenas prefere e sim precisa do atendimento presencial. O resultado disso é o descumprimento da função que está estipulada na lei que regulamenta o sistema financeiro, que determina que os bancos devem garantir o atendimento e a oferta de serviços bancários para todos e em todo o país”, criticou o dirigente da Contraf-CUT.

“Com um prognóstico tão positivo de lucro, a tormenta fica somente para os trabalhadores, pressionados em meio à mais grave crise sanitária da história do país, quando não são demitidos em meio à pandemia. As demissões causam grande prejuízo aos clientes, que têm que esperar ainda mais tempo nas já longas filas e também aos trabalhadores que ficam com sobrecarga de trabalho e adoecem”, frisa o presidente do Seeb/MT e um dos coordenadores do Comando Nacional dos Bancários, Clodoaldo Barbosa.

“Nos causa indignação, a desumanidade e a falta de responsabilidade social do setor financeiro, afinal, os bancos são uma concessão pública e têm um papel social. Eles poderiam se preocupar mais com o emprego ou cobrar juros menores”, questiona o presidente do Seeb/MT.

“Só a ganância explica isso”, conclui o Clodoaldo Barbosa, ressaltando que, independente, os bancos com crise ou sem crise, continuam ganhando dinheiro e os trabalhadores continuam sendo explorados, por isso, o movimento sindical cobra mais contratações, fim das cobranças de metas abusiva, abertura de mais agências, atendimento melhor à população e redução dos juros e tarifas.

Os dados podem ser conferidos nas análises dos balanços apresentados pelo Bradesco, Itaú e Santander feitas pelo Dieese.

Fonte – Com informações da CONTRAF-CUT