Bancos frustram bancários e não assinam pré-acordo da CCT e nem fixam calendário de negociações

Publicado em 28/06/2018 17:42

Na primeira rodada, bancos fazem ameaças veladas contrariando discurso do presidente da Fenaban de que a CCT é uma conquista de todos e precisa ser preservada


Na primeira rodada de negociação da Campanha Nacional 2018, realizada nesta quinta-feira 28 em São Paulo, os bancos frustraram a expectativa do Comando Nacional dos Bancários de que seria definido um calendário de negociação sobre a pauta de reivindicações apresentada no dia 13 de junho e seria assinado um pré-acordo estendendo a validade da Convenção Coletiva (CCT) até que a próxima esteja negociada, de forma a garantir os direitos conquistados pela categoria que correm riscos por causa da reforma trabalhista. Mesmo sabendo dessas reivindicações desde o dia 13, os negociadores da Fenaban disseram que vão consultar os bancos e trazer uma resposta na segunda rodada de negociação, que ficou marcada para o dia 12 de julho.

“A postura da Fenaban foi muito ruim na mesa de negociação. Em vez de assinarem o pré-acordo de ampliação da validade da CCT, como sempre fizemos nos anos anteriores, os representantes dos bancos vieram com um discurso de ameaças e de intimidação que vai no sentido de legitimar a reforma trabalhista, contrariando até mesmo a posição defendida pelo presidente da Fenaban, Murilo Portugal, que na entrega da pauta de reivindicações, no dia 13, exaltou a Convenção Coletiva da categoria e disse que ela precisa ser preservada”, afirma Cleiton dos Santos, presidente da Federação dos Bancários do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN).

“A posição dos bancos na primeira rodada deixa claro que essa campanha será muito difícil e exigirá a participação e mobilização da categoria para manter a Convenção Coletiva e nossos direitos históricos, conquistados em décadas de luta, que estão inscritos nas 71 cláusulas da CCT e perdem validade no dia 31 de agosto”, acrescenta Cleiton, que é membro do Comando Nacional e participou da rodada de negociação, realizada no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo.

Pré-acordo sempre foi assinado em anos anteriores

“Viemos para a mesa com disposição total de negociação e a expectativa de sair com um pré-acordo assinado, garantindo os direitos dos trabalhadores, como vales refeição, alimentação, auxílio-creche/babá, mas isso foi frustrado pela postura dos bancos que não deram resposta nenhuma ao assunto”, critica a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, coordenadora do Comando.

A dirigente destacou que, em anos anteriores, o pré-acordo que garantia a ultratividade sempre foi respeitado. “Este ano sequer garantiram que isso será feito na próxima negociação. Reforçamos que essa é uma prioridade dos bancários”.  O pré-acordo foi apresentado à Fenaban no dia da entrega da pauta, em 13 de junho.

A atual CCT e os direitos nela previstos têm validade somente até 31 de agosto, já que a data base da categoria é 1º de setembro. Por isso, a ultratividade é uma prioridade para a categoria, principalmente diante da vigência da legislação trabalhista do pós-golpe que autoriza a retirada de direitos. A lei 13.467, de novembro de 2017, foi gestada e aprovada pelos empresários, dentre eles os bancos.

“Essa primeira rodada de negociação só confirmou a importância da mobilização dos bancários na defesa da CCT e da mesa única de negociação”, avalia. “Queremos negociação com seriedade. Nossa CCT está em risco, assim como todos os direitos da categoria, inclusive nossa PLR e a mesa unificada nacional entre bancos públicos e privados”, alertou a dirigente.

De janeiro a maio de 2017, foram 13.665 acordos e 1.985 convenções. Esse ano, com a mudança na lei, no mesmo período foram 3.782 (menos 72%) acordos e 327 convenções no país (menos 84%), segundo dados do Boletim Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O Comando apresentou uma proposta de calendário com datas para as próximas rodadas de negociação, mas os bancos marcaram somente para 12 de julho pela manhã, diante de dificuldades colocadas pela agenda dos negociadores.

“Deixamos com eles nossa proposta para que avaliem um calendário e reafirmamos nossa disposição de negociar”, reforçou Juvandia.

Mobilização nacional

Os bancários devem estar preparados para a luta que será ainda mais fundamental na Campanha 2018.

Na quinta-feira (5), será realizado Dia Nacional de Luta em Defesa dos Bancos Públicos. E em 11 de julho Dia Nacional de Luta em Defesa da CCT e dos direitos da categoria. Os bancários devem usar #TodosPelosDireitos e #AssinaFenaban para ajudar a pressionar os bancos também pelas redes sociais.

Fonte: Fetec-CUT/CN, com Contraf-CUT