Fenae 50 anos: movimento em defesa da Caixa pública e dos direitos dos empregados

Publicado em 12/01/2021 10:55

Fenae 50 anos: movimento em defesa da Caixa pública e dos direitos dos empregados

São 50 anos de descobertas, desafios, lutas e conquistas. Em meio século, a mobilização por uma Caixa Econômica Federal pública a serviço do Brasil e de sua população, combinada com a defesa dos direitos dos empregados, sempre prevaleceu. A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) nasceu em 29 de maio de 1971, no Clube Curitibano, em Água Verde, bairro tradicional da capital do Paraná. Veio ao mundo pelo 6º Congresso Nacional das Associações Economiárias, como expressão de todo um processo de resistência e afirmação. Foi resultado, portanto, de horas de reuniões e de horas de conversas.

A gestação é anterior aos anos 1970, período difícil do regime militar, marcado por um ambiente de repressão e autoritarismo no qual o Brasil estava mergulhado. As primeiras sementes foram plantadas em 1959, durante o 1º Congresso Nacional das Associações Economiárias, em São Paulo. Foi nesse palco que, com base no princípio do associativismo, brotou o consenso de reunir os trabalhadores da Caixa em uma entidade forte e representativa, capaz de falar pelo Brasil inteiro.

A unificação das Associações Regionais de Economiários, hoje denominadas Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Apcefs), foi confirmada em 1971 e decorreu da unificação de todas as Caixas Econômicas Estaduais, existentes até então como autarquias. No formato de empresa pública, dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e autonomia administrativa, a Caixa Econômica Federal surgiu em 12 de agosto de 1969, por meio de um decreto-lei, assinado pelo então general-presidente Arthur da Costa e Silva.

O encontro de fundação da Fenae, que reuniu representantes de todas as Associações Regionais de Economiários do país, foi patrocinado pela Caixa Econômica Federal, com recursos disponibilizados por Giampaolo Marcello Falco, primeiro presidente do banco unificado. Na época, mesmo com todas as limitações impostas pelo regime de exceção em vigor no Brasil, a administração da Caixa tinha dificuldade de dialogar com uma entidade representativa dos trabalhadores com estrutura regional e descentralizada. Esse interesse mútuo pavimentou a fundação da Fenae.

Com uma Federação nacional, os empregados da Caixa ganharam força e passaram a contar com um canal mais representativo para escoar as muitas demandas, a começar com a luta pela reclassificação nas tabelas salariais e nos planos de cargos e carreiras, conquistada em 1974. Nos difíceis anos 1970, sob a ditadura militar implantada no país, a Fenae buscou ainda solução para diversos outros problemas remanescentes da unificação das Caixas Econômicas Estaduais em uma empresa pública nacionalmente unificada. Participou dos debates que levaram à extinção do ex-Sasse, o então órgão de previdência e assistência aos empregados. Esse processo culminou, em 1977, na criação do Plano de Melhoria dos Proventos e Pensões (PMPP), para quem já estava aposentado, e da Fundação dos Economiários Federais (Funcef), para quem ainda iria se aposentar.

No dia seguinte à reunião de Curitiba, a realização de uma Missa de Ação de Graças serviu para reafirmar que o foco da nova entidade, a partir daquele momento, seria o bem-estar do pessoal da Caixa. Desde então esse compromisso tem sido o alicerce para a história de lutas e conquistas da Fenae, feita, contada e mantida viva por sucessivas gestões e gerações.

O Estatuto foi aprovado em reunião realizada quatro meses depois do encontro de fundação da Fenae. Foi avalizado pelos presidentes de todas as associações então existentes. O formato de organização estabelecido na origem, que tem o Conselho Deliberativo Nacional (CDN) como o órgão máximo da nova defensora dos empregados da Caixa, permanece igual até os dias de hoje. O CDN é composto, de maneira paritária, por um representante de cada entidade estadual ou regional de empregados.

Arthur Ferreira de Souza Filho foi o primeiro presidente da Fenae. Ele era da associação do então estado da Guanabara, extinto em 1974 na fusão com o estado do Rio. Arthurzinho, como era conhecido no banco, tinha a fama de ser hábil na articulação e negociação com interlocutores dos mais variados perfis. Era tido como uma pessoa de diálogo, tanto entre as diferentes associações como em relação ao bom trânsito com a direção da Caixa. Essas competências mostraram-se adequadas, naqueles tempos de arbítrio, para a construção de pontes ao atendimento das diversas agendas dos trabalhadores no processo de unificação da Caixa.

Personagens de ontem e de hoje

Na condição de presidente da associação do Amazonas, Luís Augusto Mitoso foi um dos personagens que participaram do encontro de fundação da Fenae, em Curitiba. Ele trabalhou na Caixa de 1961 a 1979 e esteve presente na Missa de Ação de Graças pela criação da nova entidade. “Os que participaram da reunião na capital do Paraná exerceram o papel de visionários, com perspectiva de futuro. É que, quando ocorreu a unificação das Caixas Econômicas Estaduais, houve ao mesmo tempo a necessidade de criação de uma Federação de caráter nacional, para que os empregados tivessem voz junto à diretoria do banco unificado”, recorda.

Para Mitoso, a fundação da Fenae foi uma grande conquista, entre outros fatores, por diminuir as disparidades entre as associações do Centro-Sul em relação às do Norte-Nordeste. Segundo ele, em meio século de história, a Fenae percorreu um caminho de mobilizações e conquistas, com a origem em Curitiba marcada por um clima de muita camaradagem, euforia e de muito compromisso com os destinos do banco 100% público. “A Federação surgiu para fomentar todo um trabalho em defesa da Caixa pública e social, combinada com a defesa dos direitos de todos os empregados”, declara.

O atual presidente da Fenae, Sergio Takemoto, afirma que, desde 1971, o trabalho da entidade é assim: sempre criando, construindo, descobrindo e sempre conquistando. “De sua atuação nascem o esporte, a cultura, as atividades sociais e as ações de respeito ao meio ambiente e desenvolvimento humano, combinadas com a capacidade de gestão e a visão estratégica no campo empresarial”, explica.

De acordo com Takemoto, a Caixa 100% pública e a defesa dos direitos dos trabalhadores, com incentivo a práticas sociais, esportivas e culturais com variantes democráticas, fazem parte dos 50 anos da Fenae, construídos por cada um dos empregados do banco. “Nossa Federação, cada vez mais forte e representativa, chega a meio século com a certeza de que cumpriu bem sua missão, venceu desafios, escreveu o próprio destino e projetou o seu futuro no capítulo das lutas democráticas do país. As ideias continuam claras no sentido de trabalhar por melhores condições de vida para o pessoal da Caixa, com a consciência de que são nas lutas diárias que surgem as conquistas”, resume.

Fonte: Fenae