No 79º aniversário do Banco da Amazônia, bancários resistem aos ataques do governo

Publicado em 09/07/2021 15:57

No 79º aniversário do Banco da Amazônia, bancários resistem aos ataques do governo

Fetec-CUT/CN e sindicatos filiados organizam campanha em defesa do banco, estratégico para o desenvolvimento da região Norte, e contra a MP 1052. Nesta sexta tem manifestações em vários Estados

O Banco da Amazônia completa 79 anos nesta sexta-feira 9 de julho sob forte ataque do governo federal. A Medida Provisória (MP) 1052 editada pelo governo Bolsonaro em 19 de maio coloca em risco não apenas o futuro do banco, como os programas voltados para os micros, pequenos e médios empreendimentos financiados pelo Fundo Constitucional do Norte (FNO).

“Parabenizamos pelo aniversário os funcionários e funcionárias do banco, responsáveis pela construção desse imprescindível instrumento estratégico para o desenvolvimento econômico sustentável da região amazônica”, comemora Cleiton dos Santos, presidente da Federação dos Bancários do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN).

“Mas infelizmente essa é uma data não apenas de comemoração, mas também de luta em defesa do Banco da Amazônia e contra a MP 1052. Por isso a Federação, junto com os sindicatos filiados, está orientando a realização de manifestações nesta sexta 9 de julho em todas as nossas bases onde o banco está presente”, acrescenta Cleiton. “E como entende que o Banco da Amazônia é importante para toda a população da região Norte, a Fetec-CUT/CN está buscando junto com outras construir um amplo movimento em defesa do banco e contra a MP 1052.”

Sérgio Trindade, coordenador da Comissão de Empresa dos empregados do banco e diretor de Imprensa da Federação, reafirma a importância da data e da luta: “Neste momento em que parabenizamos o banco por quase um século de existência, estamos também numa trincheira de defesa para que o banco não seja enfraquecido e sucateado, com prejuízo para o desenvolvimento da região, para o financiamento dos pequenos e médios produtores e para a sua presença em todos os locais onde o setor privado não tem interesse de estar”.

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A importância do Banco da Amazônia para a região Norte

Os investimentos do FNO nos empreendimentos regionais vêm aumentando a cada ano, sendo hoje responsáveis por 65% do crédito de Fomento do Norte. Dos R$10,5 bilhões contratados em 2020, 66% foram aplicados em empreendimentos de pequeno porte em todos os 450 municípios da região Norte. Desses investimentos, 79% foram financiamentos de médio e longo prazo, que devem gerar R$20,7 bilhões (Matriz Insumo/Produto PRDA) em impostos.

O Fundo sustenta a operacionalização de seis programas de financiamento estratégicos para o desenvolvimento sustentável da região amazônica: o Pronaf, o Amazônia Rural, o Programa de Financiamento ao Microcrédito Produtivo Orientado, o Amazônia Empresarial, o Amazônia Fies e o Amazônia Infra.

Nos últimos dois anos, o FNO respondeu por 90% da carteira de crédito do Banco da Amazônia, que tem uma rede de atendimento com 118 agências e 2 postos de atendimento avançado em toda a região, com 2.896 funcionários. O risco de sua carteira é quase todo compartilhado com o FNO (risco 50%). Sua carteira é 95% de risco compartilhado com o FNO.

O Banco da Amazônia, nesse mesmo período, obteve lucro médio de cerca de R$270 milhões. Sua carteira é 95% de risco compartilhado com o FNO. A MP 1052 terá um impacto imediato nas receitas do banco, em 2021, de cerca de R$145 milhões. Em 2022 o Banco da Amazônia deixará de ganhar R$280 milhões. As perdas crescerão anualmente e a partir de 2026 terá uma redução de R$390 milhões ao ano

Entre outros impactos negativos, essas perdas provocarão uma redução de 27% no apoio à implantação, instalação e modernização dos empreendimentos regionais essenciais para o desenvolvimento da Amazônia. O custeio dos financiamentos crescerá 211%, tornando o crédito mais restritivo, principalmente para os micros e pequenos empreendimentos.

“Com a MP 1052, o Banco da Amazônia será levado paulatinamente à extinção, em benefício dos bancos privados, o que é um dos pilares da política ultraliberal do governo Bolsonaro/Paulo Guedes”, afirma Sérgio Trindade, que também é secretário-geral do Sindicato do Pará.

 

Fonte: Fetec-CUT/CN