PIB cai em janeiro e desmente ‘suposto’ crescimento da economia, diz Vagner

Publicado em 20/03/2018 15:50

“Estamos andando de lado como caranguejo”, critica o presidente da CUT, em referência aos pífios resultados econômicos apresentados pelo governo do golpista e ilegítimo Temer

 

Em artigo publicado em seu blog nesta segunda-feira (19), o presidente da CUT, Vagner Freitas, ironiza o governo do golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) que comemorou antecipadamente o fim da crise econômica e afirmou que o Brasil estava em rota de crescimento.

A crítica veio após a divulgação pelo Banco Central da estimativa prévia do PIB de janeiro, que apontou para uma queda de 0,56%

“O que aconteceu com o aquecimento da economia que Temer e seu ministro Meireles se gabaram e a imprensa repercutiu sem questionar?”.

Para Vagner, não há milagre para fazer o Brasil voltar a crescer. “É preciso antes de tudo estabilidade política e isso só será conseguido com responsabilidade e credibilidade; com o retorno da democracia e eleições diretas e livres de pressões de parte do Poder Judiciário para impedir que Lula seja candidato”.

Confira a íntegra do artigo publicado em seu Blog:

PIB cai em janeiro e desmente teoria sobre ‘suposto’ crescimento da economia

O Banco Central divulgou estimativa de prévia do PIB de janeiro, apontando para uma queda de 0,56%.

O que aconteceu com o aquecimento da economia?  Temer e Meirelles se gabaram que tinham acabado com a crise econômica, que o país tinha voltado a crescer e a mídia amiga gastou páginas de jornal impresso e minutos de sua programação de rádios e TVs para repercutir o falso crescimento.

A verdade é que Temer queimou os cartuchos que tinha no Congresso Nacional para se livrar de denúncias de corrupção apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR); e, também, para aprovar matérias decisivas contra os trabalhadores e as trabalhadoras a mando das Confederações patronais, como a CNI, para pagar a conta do golpe, mas os patrões não investiram um centavo para aquecer a economia.

Além disso, liberou verbas e injetou recursos para consumo na economia, como o das contas inativas do FGTS. Mais do mesmo.

Não criou nenhuma base nova, nenhuma estratégia para recuperar a economia. Muito pelo contrário, a PEC do congelamento de gastos amarrou os braços e as mãos do Estado que agora fica impossibilitado de exercer seu papel de indutor do desenvolvimento.

Não há milagre para fazer o Brasil voltar a crescer. É preciso antes de tudo estabilidade política e isso só será conseguido com responsabilidade e credibilidade; com o retorno da democracia e eleições diretas e livres de pressões de parte do Poder Judiciário para impedir que Lula seja candidato.

O Ministério do Trabalho já havia divulgado na semana passada o resultado do saldo de empregos formais de janeiro, 78 mil vagas. Na soma dos últimos 12 meses foram 83 mil vagas. Uma gota no oceano frente aos mais de 12 milhões de desempregados.

Estamos andando de lado como caranguejo.

A criação de vagas não é capaz de absorver os trabalhadores que ingressam no mercado de trabalho. A taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro ficou em 12,2%, maior que os 11,8% do mesmo trimestre do ano anterior. São 12,7 milhões de pessoas desempregadas em janeiro para as 78 mil vagas líquidas criadas.

O Brasil está estagnado. Nesse ritmo vamos ter de entrar no alçapão que há no fundo do poço.

O golpe e o uso extremado da força não criam nada, apenas destroem o que foi criado. Em um país tão desigual, precisamos restabelecer e aperfeiçoar o pacto da constituinte de 1988 com propostas de políticas de estado que aprofundem a participação social, dos trabalhadores e das trabalhadoras, do povo, que impulsione um projeto de desenvolvimento sustentável com crescimento, distribuição de renda, justiça e inclusão social.

Não vão nos silenciar e tampouco nos enganar com falsos discursos de melhora na economia quando temos uma legião de mais de milhões de trabalhadores e trabalhadoras, chefes de famílias, desempregados e sem perspectiva de conseguir recolocação a médio prazo.

Fonte: CUT