Reforma trabalhista de Temer aumenta desemprego e precariza o trabalho

Publicado em 20/04/2018 17:35

 

 

Passados dois anos desde o golpe que derrubou a ex-presidenta Dilma Rousseff, sob o argumento das “pedaladas fiscais”, a crise no país aumentou. Na época, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), agora processado por corrupção, mostrava indignação com os 10 milhões de desempregados, segundo ele, “vítimas da política econômica”. Mas, às vésperas do Dia do Trabalhador, em 1º de maio de 2018, o desemprego cresceu e já supera os 13 milhões.

Com Temer, o Brasil perdeu 1,4 milhão de postos de trabalho formais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A política econômica recessiva e a reforma trabalhista aceleraram este processo. Apesar do governo e a mídia, sua aliada, repetirem exaustivamente que o país está retomando o crescimento, os números mostram o contrário: no trimestre de abril de 2016 eram 11,411 milhões de desempregados, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE. Em dezembro passado, após a reforma trabalhista aprovada como uma solução, esse número cresceu para 12,311 milhões. Em fevereiro último, passou para 13,121 milhões.

Para a presidenta do Sindicato, Adriana Nalesso, a política econômica do governo golpista de Temer fracassou principalmente no que se refere a empregos. “É importante destacar que o IBGE considera ocupado uma pessoa que faz um ‘bico’, que não necessariamente está empregada com carteira assinada e assegurados seus direitos”, argumentou.

Com as alterações das regras trabalhistas e o aumento da crise, cresceu o total de trabalhadores sem carteira assinada, passando de 9,953 milhões no trimestre encerrado em abril de 2016 para 10,761 milhões em fevereiro último, um pouco menos do que em dezembro (11,115 milhões). Como forma de fugir do desemprego crescente, os trabalhadores por conta própria passaram de 22,980 milhões para 23,198 milhões em dezembro de 2017 e 23,135 milhões em fevereiro de 2018.

Houve um pequeno crescimento do emprego formal nos últimos meses. Mas devido à alta rotatividade e a substituição dos demitidos por empregados com menor salário. Segundo o Caged, o salário médio dos admitidos em fevereiro foi de R$ 1.502,68, enquanto o dos demitidos era de R$ 1.662,95.

Adriana lembrou que a nova legislação permite sete novos tipos de contratações, entre eles, o trabalho intermitente, a ‘pejotizaçao’ e a terceirização, que são formas de contratação precária, em que o trabalhador na maioria das vezes tem uma remuneração muito menor, além de perdas de direitos. Os empregos gerados são precários, sem segurança, privilegiando os patrões. “Muitas empresas estão utilizando, por exemplo, o contratado intermitente, cujo valor da hora mínima estabelecida é de R$ 4,45. É a volta da escravidão, um absurdo”, criticou.

Fonte: Seeb/Rio de Janeiro